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Mostrando postagens de Setembro, 2017

Cartas para Bárbara: XXI

eu pensei que não fosse mais te escrever.
passei uns dias enterrando palavras para que você não pudesse alcançar o que está no mais profundo em mim, o que se esconde no subjetivo e só se desvela quando corre nestas linhas.
pensei em te escrever só em maiúsculas, pra você entender a força que há em tudo que sinto e, claro, para me contrapor ao que você é. mas desisti, porque é assim que sei te escrever, porque é dentro da delicadeza que cabem todas as sensações que você provoca em mim, mesmo a raiva.
eu costumo liquidar pessoas deixando de escrever sobre elas ou para elas. é a forma que encontrei de tirá-las de mim. então eu escrevo até exaurir o que existe, até que tudo tenha sido dito, até que finalmente eu exorcize tudo e possa deixá-las ir. então, se esta carta nos aproxima, ao mesmo tempo ela anuncia um fim, próximo ou distante. eu aprendi, a duras penas, que tudo finda, Bárbara. mesmo que seja para renascer em outro corpo, em outro molde, mesmo que seja para ressurgir com outro refl…