se quiser saber de mim

não é preciso muito pra saber de mim. se quiser me conhecer, eu estou sempre disposta a me apresentar, exposta que sou. e se às vezes digo nas entrelinhas, não é por falta de coragem, é por amor ao subjetivo. por mais objetiva que eu seja, tantas vezes. mas a verdade é que minha natureza é prolixa. eu gosto muito de palavras. eu sou dada a conversas, eu gosto de falar, gosto de vozes que se entrelaçam. eu gosto de linhas, de papel e caneta, eu gosto de teclados, de notebook, de máquina de escrever, eu gosto de moleskines. eu os coleciono. não é difícil me enxergar fundo, se você quiser. a minha água é cristalina, a minha alma é clara. eu vou ouvir tudo o que você tiver pra dizer e eu, eu vou me mostrar, sem cerimônia, se você quiser. eu não gosto de esconderijos. eu gosto de tudo bem dito. bendito. eu sou de dizer as coisas. eu sou de me arrepender por um segundo por ter exposto um sentimento, mas em seguida, me arrependo pra sempre por ter me arrependido. eu sou assim, irremediável. não sei esconder. e se um dia a isso chamei impulso, hoje me impulsiono a dizer. eu digo. eu digo tudo que você precisar ouvir, eu digo tudo o que você quiser saber, eu não guardo segredo de mim, não faço secretos os meus sentimentos, tampouco os meus desejos. se você quiser saber de mim, eu estou aqui. se quiser me ver desnuda, já estou sem roupas.

Débora Andrade
31/05/2017

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