Cartas para Bárbara: XVIII

baby, hoje eu estou particularmente cansada. hoje o mundo estava diferente, porque meus olhos, hoje, não são os mesmos de sempre.
hoje pensei em você com saudade, mas não era só ela.
hoje estava tudo misturado, as imagens turvas na minha cabeça.
hoje eu estava esgotada, de tudo, de todos, do mundo, de mim. mas não foi um dia ruim, sabe? foi um dia bom, na verdade. um dia em que eu passei pelo mundo, meio dormente, meio estática, enquanto ele acontecia, vibrava, corria.
uns diriam que há um quê de melancolia nesse dia, mas há mesmo é um tanto de calma.
um tanto de saber do que não alcanço, de assumir o que não sou e não sei.
Bárbara, eu não te alcanço e se eu pensar bem, eu não te sei.
hoje o dia foi de constatar tudo o que não possuo, foi de perceber que eu gosto muito de possuir, mas nada é meu. nada.
foi um dia de olhar pra cima e dizer a Ele que eu me reconheço pequena.
foi realmente um dia doce, apesar de todo peso.
hoje, inclusive, repensei estas cartas, se elas fazem mesmo algum sentido, se elas mudam algo, se tocam alguém. mas então me dei conta de que elas vão além de você; antes de qualquer coisa, elas são uma das formas que encontrei de derramar tudo que sinto.

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