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Mostrando postagens de Junho, 2017

sobre a próxima dor

ouvi dizer que a próxima dor sempre é a menos doída. pra mim, nunca funcionou assim. a última dor sempre é a mais lacerante. talvez porque eu não tenha me habituado. temo que eu nunca consiga fazê-lo. falam-me que após sucessivas quedas, a gente aprende a cair, que os machucados já nem ardem tanto. balela. já perdi de vista as dores que tive, mas a dor é sempre inédita pra mim. e não é que eu não tenha lembranças das dores passadas, às vezes até choro quando revisito-as, mas a dor do agora é soco no estômago do qual a gente tenta recuperar o ar e parece nunca conseguir, até que passe. essa dor é viva, pungente e parece só ter reticências. às vezes gosto de dizer que estou sempre atenta, que aprendi a não confiar, que me importo menos do que antes. quem dera. eu sou dessas pessoas que sempre se importam, que acreditam, que preferem esperar o melhor. e me falam: "espere o pior. se você receber o tal pior, não se surpreenderá e, caso receba o melhor, será uma boa surpresa". talv…

Cartas para Bárbara: XVIII

baby, hoje eu estou particularmente cansada. hoje o mundo estava diferente, porque meus olhos, hoje, não são os mesmos de sempre.
hoje pensei em você com saudade, mas não era só ela.
hoje estava tudo misturado, as imagens turvas na minha cabeça.
hoje eu estava esgotada, de tudo, de todos, do mundo, de mim. mas não foi um dia ruim, sabe? foi um dia bom, na verdade. um dia em que eu passei pelo mundo, meio dormente, meio estática, enquanto ele acontecia, vibrava, corria.
uns diriam que há um quê de melancolia nesse dia, mas há mesmo é um tanto de calma.
um tanto de saber do que não alcanço, de assumir o que não sou e não sei.
Bárbara, eu não te alcanço e se eu pensar bem, eu não te sei.
hoje o dia foi de constatar tudo o que não possuo, foi de perceber que eu gosto muito de possuir, mas nada é meu. nada.
foi um dia de olhar pra cima e dizer a Ele que eu me reconheço pequena.
foi realmente um dia doce, apesar de todo peso.
hoje, inclusive, repensei estas cartas, se elas fazem mesmo algum sentido, …

Cartas para Bárbara: XVII

Bárbara, a tua liberdade me enche os pulmões, mas me causa medo.
você está sempre disposta a ir, sem garantias.
você se joga em lugares e pessoas, vive tudo.
essa tua sede de viver, corpo e alma, me deixa extasiada, me faz reavaliar conceitos, mas, essa mesma sede, me deixa desnorteada, me faz pensar sobre esse tanto que te quero, no quanto estou aqui e você, no mundo.
eu tenho me limitado em cartas curtas enquanto tenho tanto a dizer.
acho que digo aos poucos pra controlar essa avalanche dentro de mim.
eu tenho me imposto barreiras, Bárbara, enquanto você, você não tem limites.

Cartas para Bárbara: XVI

teus olhos são os mais lindos que já vi, Bárbara.
e se os olhos são as janelas da alma, os teus só podiam ser magníficos mesmo.
não há dia em que eu não pense neles.
todos os dias imagino como será, parafraseando o poetinha, quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus resolverem se encontrar.
ai Bárbara, que frio que me dá.

Cartas para Bárbara: XV

Bárbara, hoje te escrevo sobretudo para agradecer.
você possui o que há de mais lindo num ser: inspiração.
conheço muita gente que escrevia quando mais jovem, mas que pararam quando os anos foram pesando em seus olhares.
eu não largo a poesia porque é ela quem me salva do mundo, de mim.
mas nós, eu e a poesia, tivemos intervalos, como em todo relacionamento intenso.
e você, você me trouxe de volta à toda minha poesia.
você tirou o peso do meu olhar, Bárbara.
você ressignificou tudo.

Cartas para Bárbara: XIV

minha menina, eu não posso acreditar que o mundo já foi duro contigo, você não merece.
eu te juro, meu bem, se eu pudesse, teria evitado todas as tuas dores.
eu te cuidaria todo dia, tanto e sempre, Bárbara.
e é tão grande isso que sinto, que aos céus já fiz um pedido:
se um dia eu te fizer doer mais do que amar, que esse encontro não se dê.

julguem-me pelo que escrevo

julguem-me
pelo que escrevo
afinal sou mesmo
o que estão nessas linhas
e da poesia
não me envergonho

posso dizer que
quem me lê
me conhece mais fundo
do que quem me vê
todos os dias

quem me vê
diariamente
só me vê
já quem me lê
me enxerga
me sente

podem me amar
ou odiar
pelo que escrevo
vamos!
continuem!
me julguem sim
assumo toda responsabilidade
de ser eu

mas lembrem
que sou hoje.
sou o que escrevo
nesse instante

ontem
é passado distante
ontem já faz
tempo demais

se a vida
é contínuo desconstruir
de certezas
escrever
é eternizar mudanças
escrever é olhar
em perspectiva
é saber
quem já não somos
e não saber
quem seremos
nesse frágil espaço
chamado tempo

Débora Andrade 09.06.2017

Cartas para Bárbara: XIII

hoje estava num ônibus e comecei a pensar em você.
de repente, me peguei sorrindo enquanto lembrava de nossas conversas; isso tem acontecido sempre, na verdade.
eu imagino diálogos, encontros, momentos tão doces que me roubam sorrisos antes que eu me dê conta.
mas hoje, hoje no ônibus foi diferente.
por um momento, meus pensamentos ingênuos deram lugar a pensamentos não tão inocentes, de modo que, em meio àquele ônibus cheio, só havia eu e você.
Bárbara, eu te beijei com paixão em meio a todos aqueles desconhecidos.
Bárbara, eu fechei os olhos e te quis como nunca. te quis como sempre.
eu te despi, ali.
eu te ouvi sussurrar palavras quentes e eu ardi, ali.
eu te disse frases inconfessáveis.
não sei qual foi o meu contraponto, mas quando abri os olhos e me vi, naquele lugar, inóspito, tão nua, me dei conta do quanto você me tem.
e fiquei rubra.

Cartas para Bárbara: XII

eu tenho tanto medo, Bárbara.
medo de nos perdermos uma da outra. medo de ser tudo isso efêmero, medo de, se tudo acabar, nada restar de nós.
eu não quero viver sem a tua leveza, não quero deixar de ouvir tua voz, não imagino meus dias sem você, sabendo que de mim não lembra mais.
eu trocaria tudo, Bárbara, eu me esforçaria para sufocar tudo o que sinto, fosse esta a salvação de nós.
te quero amiga, mas não te quero perder.
te quero ver em outras camas, em outros romances, mas te quero perto.
Bárbara, se você for, quem vai dar vida à minha playlist?

Cartas para Bárbara: XI

Bárbara, fico pensando no que posso te dizer que nunca te foi dito.
você que já deve ter lido e ouvido e relido e reouvido tudo.
já te devem ter dito as mais belas frases de amor, as juras mais impossíveis, porque tudo parece fácil de ser alcançado se a recompensa for o brilho dos teus olhos.
ah, menina, esse teu nome rijo, de quem tem passo firme e peito forte, não esconde tua doçura.

Cartas para Bárbara: X

Bárbara, eu quero beijar teu corpo inteiro.
eu quero te analisar milimetricamente, quero contar teus centímetros com as minhas mãos, medir teu corpo pela quantidade de beijos que ele comporta. serão muitos. Bárbara, você tem sido o meu desejo mais profano; a minha maior vontade te habita. eu quero te beber em goles fartos. eu quero te comer sem talheres. eu quero te beijar até a alma. essa tua alma que me cativa, esse teu jeito que me emociona. você é linda. você é linda.

Cartas para Bárbara: IX

não lembro ao certo a data em que nos falamos pela primeira vez, mas sabe que eu te conheci antes daquele dia?
eu te via, te lia, você sequer sabia.
foi lá, antes da primeira troca de palavras, que você me encantou.
a vida corre, Bárbara, apesar disso. e te assistir de longe tem sido a forma que me coube de te viver.
se tu quiser, quando o encontro se der, eu te mostro tudo o que a distância não deixa a gente enxergar. enquanto isso, eu te mostro tudo o que couber em palavras carregadas de sentimento e nessa voz que você rouba um pouco todos os dias.
porque até quando você não me ouve, eu te falo.

Cartas para Bárbara: VIII

Bárbara, hoje cedo tomei chá contigo na varanda.
pensei sobre a vida, sobre ela ser mesmo a arte dos encontros, como disse o poetinha.
fico especialmente feliz por ter te encontrado.
pensei como seria se ele, o próprio Vinicius, te tivesse encontrado, se vocês tivessem sido contemporâneos; você renderia belas poesias, lindas músicas.
Bárbara, não foi você quem inspirou o Chico?

Cartas para Bárbara: VII

Bárbara, queria passar essas noites contigo, tu que não gosta de cama sem par.
camas podem ter quilômetros, Bárbara.
quilômetros até mais longos que estes que nos separam.
quero encurtar essas distâncias; também prefiro cama a dois.
posso ser apenas companhia, se tu quiser. posso te despir com voracidade também.
posso ser abraço que te aninha. posso ser amante insaciável.
posso até ser os dois, Bárbara, se tu quiser.

Cartas para Bárbara: VI

Bárbara, te escrevo freneticamente.
ouço música pensando em tu, em todas as horas livres do meu dia.
eu tenho vivido esse romance como se ele existisse mais do que em mim.
Bárbara, tu é o arrepio, tu é a volúpia, tu está cravada na minha pele, como tatuagem.
menina, tu é o próprio atentado ao pudor.

Cartas para Bárbara: V

tem sido cômodo te manter nas linhas, Bárbara.
pensar no encontro é viver a dor e a delícia do que virá.
o que vai acontecer, menina, se tuas expectativas forem maiores que o meu 1.70 de altura?

Cartas para Bárbara: IV

Bárbara, não sei se tu sabe, mas habitas mais do que os meus desejos mais íntimos; você está em meus sonhos mais inocentes, você está no que há de mais puro em mim.
antes de te desejar, eu te amei.
foi desse tanto de carinho que senti por tu que nasceu todo o resto.
antes dessa vontade de te beijar, eu quis passar horas te fitando. antes de te querer, quis teus olhos nos meus.
Bárbara, antes de te imaginar na minha cama, eu sonhava contigo na minha vida.

Cartas para Bárbara: III

como eu queria essa tua pele de nuvem na minha, menina.
eu já te disse que tuas mãos são lindas?
ah se elas trafegassem meu corpo, Bárbara.
e esse teu sorriso que captura meu olhar, esse teu cenário inteiro que me toma.
eu quero passear pelo teu corpo, eu quero escutar teu grito, eu quero teu gosto na minha língua; você que tempera meus dias.
o significado da palavra desejo foi ampliado desde a tua chegada.

Cartas para Bárbara: II

Bárbara, eu amo te escrever, amo escrever sobre você, amo te ler também.
você, gigante, mas sempre em letras minúsculas.
eu te acompanho, acho lindo. mas confesso que, muitas vezes, quero te escrever em letras garrafais, como quem grita.
eu quero falar, bem alto, DE TODO ESSE BEM QUE TU ME CAUSA.

Cartas para Bárbara: I

Bárbara, ontem os meus lençóis suaram teu suor e o quarto tinha teu cheiro.
eu te ouvia em cada tom da música que tocava ao fundo, uma das tantas que você me apresentou. você mudou a minha playlist. você mudou meu ritmo. e eu nunca gostei tanto de mudanças.
eu te vi, nitidamente, sob mim. eu te senti como se já antes te tivesse tocado.
alguns minutos mais tarde, sorri, lembrando de quando você disse que nada sabia sobre mim.
mas eu te sabia inteira.

se quiser saber de mim

não é preciso muito pra saber de mim. se quiser me conhecer, eu estou sempre disposta a me apresentar, exposta que sou. e se às vezes digo nas entrelinhas, não é por falta de coragem, é por amor ao subjetivo. por mais objetiva que eu seja, tantas vezes. mas a verdade é que minha natureza é prolixa. eu gosto muito de palavras. eu sou dada a conversas, eu gosto de falar, gosto de vozes que se entrelaçam. eu gosto de linhas, de papel e caneta, eu gosto de teclados, de notebook, de máquina de escrever, eu gosto de moleskines. eu os coleciono. não é difícil me enxergar fundo, se você quiser. a minha água é cristalina, a minha alma é clara. eu vou ouvir tudo o que você tiver pra dizer e eu, eu vou me mostrar, sem cerimônia, se você quiser. eu não gosto de esconderijos. eu gosto de tudo bem dito. bendito. eu sou de dizer as coisas. eu sou de me arrepender por um segundo por ter exposto um sentimento, mas em seguida, me arrependo pra sempre por ter me arrependido. eu sou assim, irremediável. …