eu quero os que choram

os desolados me atraem
enquanto querem por aí
os seguros de si
enquanto
se atraem tantos
pelos super heróis
pela postura ereta
o olhar altivo
a voz impostada
eu quero os frágeis
os sensíveis
não os fracos
mas os românticos
caídos
derrubados
pelas dores do mundo

nem sei bem
se sei me cuidar
mas cuidar
dos outros
me faz bem

eu não quero
os infalíveis
quero os falidos
os derrotados
da última batalha
mas ainda crédulos
na guerra
porque a vida
é luta constante

eu quero os que
como eu
choram
dilacerados
mas não desistem
eu quero carne
osso
coração

eu não quero armas
nem armaduras
quero os desarmados
que vão pela vida
de peito aberto

Débora Andrade
28/11/2016

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