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Cartas para Bárbara: XVII

Bárbara, a tua liberdade me enche os pulmões, mas me causa medo.
você está sempre disposta a ir, sem garantias.
você se joga em lugares e pessoas, vive tudo.
essa tua sede de viver, corpo e alma, me deixa extasiada, me faz reavaliar conceitos, mas, essa mesma sede, me deixa desnorteada, me faz pensar sobre esse tanto que te quero, no quanto estou aqui e você, no mundo.
eu tenho me limitado em cartas curtas enquanto tenho tanto a dizer.
acho que digo aos poucos pra controlar essa avalanche dentro de mim.
eu tenho me imposto barreiras, Bárbara, enquanto você, você não tem limites.

Cartas para Bárbara: XVI

teus olhos são os mais lindos que já vi, Bárbara.
e se os olhos são as janelas da alma, os teus só podiam ser magníficos mesmo.
não há dia em que eu não pense neles.
todos os dias imagino como será, parafraseando o poetinha, quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus resolverem se encontrar.
ai Bárbara, que frio que me dá.

Cartas para Bárbara: XV

Bárbara, hoje te escrevo sobretudo para agradecer.
você possui o que há de mais lindo num ser: inspiração.
conheço muita gente que escrevia quando mais jovem, mas que pararam quando os anos foram pesando em seus olhares.
eu não largo a poesia porque é ela quem me salva do mundo, de mim.
mas nós, eu e a poesia, tivemos intervalos, como em todo relacionamento intenso.
e você, você me trouxe de volta à toda minha poesia.
você tirou o peso do meu olhar, Bárbara.
você ressignificou tudo.

Cartas para Bárbara: XIV

minha menina, eu não posso acreditar que o mundo já foi duro contigo, você não merece.
eu te juro, meu bem, se eu pudesse, teria evitado todas as tuas dores.
eu te cuidaria todo dia, tanto e sempre, Bárbara.
e é tão grande isso que sinto, que aos céus já fiz um pedido:
se um dia eu te fizer doer mais do que amar, que esse encontro não se dê.

julguem-me pelo que escrevo

julguem-me
pelo que escrevo
afinal sou mesmo
o que estão nessas linhas
e da poesia
não me envergonho

posso dizer que
quem me lê
me conhece mais fundo
do que quem me vê
todos os dias

quem me vê
diariamente
só me vê
já quem me lê
me enxerga
me sente

podem me amar
ou odiar
pelo que escrevo
vamos!
continuem!
me julguem sim
assumo toda responsabilidade
de ser eu

mas lembrem
que sou hoje.
sou o que escrevo
nesse instante

ontem
é passado distante
ontem já faz
tempo demais

se a vida
é contínuo desconstruir
de certezas
escrever
é eternizar mudanças
escrever é olhar
em perspectiva
é saber
quem já não somos
e não saber
quem seremos
nesse frágil espaço
chamado tempo

Débora Andrade 09.06.2017

Cartas para Bárbara: XIII

hoje estava num ônibus e comecei a pensar em você.
de repente, me peguei sorrindo enquanto lembrava de nossas conversas; isso tem acontecido sempre, na verdade.
eu imagino diálogos, encontros, momentos tão doces que me roubam sorrisos antes que eu me dê conta.
mas hoje, hoje no ônibus foi diferente.
por um momento, meus pensamentos ingênuos deram lugar a pensamentos não tão inocentes, de modo que, em meio àquele ônibus cheio, só havia eu e você.
Bárbara, eu te beijei com paixão em meio a todos aqueles desconhecidos.
Bárbara, eu fechei os olhos e te quis como nunca. te quis como sempre.
eu te despi, ali.
eu te ouvi sussurrar palavras quentes e eu ardi, ali.
eu te disse frases inconfessáveis.
não sei qual foi o meu contraponto, mas quando abri os olhos e me vi, naquele lugar, inóspito, tão nua, me dei conta do quanto você me tem.
e fiquei rubra.

Cartas para Bárbara: XII

eu tenho tanto medo, Bárbara.
medo de nos perdermos uma da outra. medo de ser tudo isso efêmero, medo de, se tudo acabar, nada restar de nós.
eu não quero viver sem a tua leveza, não quero deixar de ouvir tua voz, não imagino meus dias sem você, sabendo que de mim não lembra mais.
eu trocaria tudo, Bárbara, eu me esforçaria para sufocar tudo o que sinto, fosse esta a salvação de nós.
te quero amiga, mas não te quero perder.
te quero ver em outras camas, em outros romances, mas te quero perto.
Bárbara, se você for, quem vai dar vida à minha playlist?

Cartas para Bárbara: XI

Bárbara, fico pensando no que posso te dizer que nunca te foi dito.
você que já deve ter lido e ouvido e relido e reouvido tudo.
já te devem ter dito as mais belas frases de amor, as juras mais impossíveis, porque tudo parece fácil de ser alcançado se a recompensa for o brilho dos teus olhos.
ah, menina, esse teu nome rijo, de quem tem passo firme e peito forte, não esconde tua doçura.

Cartas para Bárbara: X

Bárbara, eu quero beijar teu corpo inteiro.
eu quero te analisar milimetricamente, quero contar teus centímetros com as minhas mãos, medir teu corpo pela quantidade de beijos que ele comporta. serão muitos. Bárbara, você tem sido o meu desejo mais profano; a minha maior vontade te habita. eu quero te beber em goles fartos. eu quero te comer sem talheres. eu quero te beijar até a alma. essa tua alma que me cativa, esse teu jeito que me emociona. você é linda. você é linda.

Cartas para Bárbara: IX

não lembro ao certo a data em que nos falamos pela primeira vez, mas sabe que eu te conheci antes daquele dia?
eu te via, te lia, você sequer sabia.
foi lá, antes da primeira troca de palavras, que você me encantou.
a vida corre, Bárbara, apesar disso. e te assistir de longe tem sido a forma que me coube de te viver.
se tu quiser, quando o encontro se der, eu te mostro tudo o que a distância não deixa a gente enxergar. enquanto isso, eu te mostro tudo o que couber em palavras carregadas de sentimento e nessa voz que você rouba um pouco todos os dias.
porque até quando você não me ouve, eu te falo.

Cartas para Bárbara: VIII

Bárbara, hoje cedo tomei chá contigo na varanda.
pensei sobre a vida, sobre ela ser mesmo a arte dos encontros, como disse o poetinha.
fico especialmente feliz por ter te encontrado.
pensei como seria se ele, o próprio Vinicius, te tivesse encontrado, se vocês tivessem sido contemporâneos; você renderia belas poesias, lindas músicas.
Bárbara, não foi você quem inspirou o Chico?

Cartas para Bárbara: VII

Bárbara, queria passar essas noites contigo, tu que não gosta de cama sem par.
camas podem ter quilômetros, Bárbara.
quilômetros até mais longos que estes que nos separam.
quero encurtar essas distâncias; também prefiro cama a dois.
posso ser apenas companhia, se tu quiser. posso te despir com voracidade também.
posso ser abraço que te aninha. posso ser amante insaciável.
posso até ser os dois, Bárbara, se tu quiser.

Cartas para Bárbara: VI

Bárbara, te escrevo freneticamente.
ouço música pensando em tu, em todas as horas livres do meu dia.
eu tenho vivido esse romance como se ele existisse mais do que em mim.
Bárbara, tu é o arrepio, tu é a volúpia, tu está cravada na minha pele, como tatuagem.
menina, tu é o próprio atentado ao pudor.

Cartas para Bárbara: V

tem sido cômodo te manter nas linhas, Bárbara.
pensar no encontro é viver a dor e a delícia do que virá.
o que vai acontecer, menina, se tuas expectativas forem maiores que o meu 1.70 de altura?

Cartas para Bárbara: IV

Bárbara, não sei se tu sabe, mas habitas mais do que os meus desejos mais íntimos; você está em meus sonhos mais inocentes, você está no que há de mais puro em mim.
antes de te desejar, eu te amei.
foi desse tanto de carinho que senti por tu que nasceu todo o resto.
antes dessa vontade de te beijar, eu quis passar horas te fitando. antes de te querer, quis teus olhos nos meus.
Bárbara, antes de te imaginar na minha cama, eu sonhava contigo na minha vida.

Cartas para Bárbara: III

como eu queria essa tua pele de nuvem na minha, menina.
eu já te disse que tuas mãos são lindas?
ah se elas trafegassem meu corpo, Bárbara.
e esse teu sorriso que captura meu olhar, esse teu cenário inteiro que me toma.
eu quero passear pelo teu corpo, eu quero escutar teu grito, eu quero teu gosto na minha língua; você que tempera meus dias.
o significado da palavra desejo foi ampliado desde a tua chegada.

Cartas para Bárbara: II

Bárbara, eu amo te escrever, amo escrever sobre você, amo te ler também.
você, gigante, mas sempre em letras minúsculas.
eu te acompanho, acho lindo. mas confesso que, muitas vezes, quero te escrever em letras garrafais, como quem grita.
eu quero falar, bem alto, DE TODO ESSE BEM QUE TU ME CAUSA.

Cartas para Bárbara: I

Bárbara, ontem os meus lençóis suaram teu suor e o quarto tinha teu cheiro.
eu te ouvia em cada tom da música que tocava ao fundo, uma das tantas que você me apresentou. você mudou a minha playlist. você mudou meu ritmo. e eu nunca gostei tanto de mudanças.
eu te vi, nitidamente, sob mim. eu te senti como se já antes te tivesse tocado.
alguns minutos mais tarde, sorri, lembrando de quando você disse que nada sabia sobre mim.
mas eu te sabia inteira.

se quiser saber de mim

não é preciso muito pra saber de mim. se quiser me conhecer, eu estou sempre disposta a me apresentar, exposta que sou. e se às vezes digo nas entrelinhas, não é por falta de coragem, é por amor ao subjetivo. por mais objetiva que eu seja, tantas vezes. mas a verdade é que minha natureza é prolixa. eu gosto muito de palavras. eu sou dada a conversas, eu gosto de falar, gosto de vozes que se entrelaçam. eu gosto de linhas, de papel e caneta, eu gosto de teclados, de notebook, de máquina de escrever, eu gosto de moleskines. eu os coleciono. não é difícil me enxergar fundo, se você quiser. a minha água é cristalina, a minha alma é clara. eu vou ouvir tudo o que você tiver pra dizer e eu, eu vou me mostrar, sem cerimônia, se você quiser. eu não gosto de esconderijos. eu gosto de tudo bem dito. bendito. eu sou de dizer as coisas. eu sou de me arrepender por um segundo por ter exposto um sentimento, mas em seguida, me arrependo pra sempre por ter me arrependido. eu sou assim, irremediável. …

sinestesia

sentir não me é facultado
eu simplesmente sinto
jamais lamentei por isso

sou dos cheiros
sou dos olhares
de tudo que toque

sou dos toques
dos mais suaves na pele
e mais sutis na alma
aos dedos fincados
o coração acelerado

sou da voz
sou dos arrepios
sou da pele
tudo me aguça

sou do gosto
e gosto de sentir
gosto dos sentidos
do tato
dos sons
eu só sei ser
sentindo

Débora Andrade 21-03-2015

Maria

ela surgiu como a brisa
leve e tímida
que balança as cortinas
e nos faz olhar a janela
pra perceber
e receber o dia

ela é a luz do dia
que invade a casa
e desperta os sentidos
ela se intalou em mim
de modo que já nem sei
onde ela começa
e eu termino

ela chegou
com olhos diminutos
e um sorriso farto
como seu coração

já nem sei
o que é lugar comum
ela quebrou a rotina
os conceitos
e sem que eu notasse
me preencheu o peito
tomou um espaço
antes desconhecido

ela sequer sabe
e nisso está a beleza
da platonicidade
é tão distante
quanto infinito


Débora Andrade 24/05/2017

eu não quero amor mudo

eu não quero
amor mudo
eu gosto
é de amor gritado
amor estampado
nas paredes
na testa
nos gestos
não gosto
de amor escondido
enclausurar o amor
é pecado
amor
em cárcere privado
é crime
inafiançável
amor em gavetas
deteriora
esquecido
cheio de morfo
amor
tem que pendurar
pela casa
tem que colorir
o mundo
este mundo
que precisa
reaprender
o amor
eu não quero
amor discreto
quero amor exposto
disposto
amor recíproco
amor corajoso
não quero
amor tímido
amor fugidio
amor que passa
se esgueirando
quero amor
de passo firme
amor que sabe que é
amor cheio de si
convicto
quero amor
quero amor

Débora Andrade 30/11/2016

eu quero os que choram

os desolados me atraem
enquanto querem por aí
os seguros de si
enquanto
se atraem tantos
pelos super heróis
pela postura ereta
o olhar altivo
a voz impostada
eu quero os frágeis
os sensíveis
não os fracos
mas os românticos
caídos
derrubados
pelas dores do mundo

nem sei bem
se sei me cuidar
mas cuidar
dos outros
me faz bem
eu não quero
os infalíveis
quero os falidos
os derrotados
da última batalha
mas ainda crédulos
na guerra
porque a vida
é luta constante
eu quero os que
como eu
choram
dilacerados
mas não desistem
eu quero carne
osso
coração
eu não quero armas
nem armaduras
quero os desarmados
que vão pela vida
de peito aberto

Débora Andrade 28/11/2016

sobre apaixonar-se todos os dias

e me falava sobre
se apaixonar pela mesma pessoa
diversas vezes
dia após dia
sobre o encantamento contínuo
apesar de.
e é de uma beleza e
altruísmo e
de uma força ímpar
a isso chamo amor
mas além desse
conheço outro
outro apaixonar-se diário
por indivíduos vários

e quantos me diriam
da loucura que há nisso
quantos me diriam
que nisso
não há amor
e eu responderia
que há ainda mais
há tanto amor que
não cabe em um
é ter um coração tão
imenso
intenso
em que cabe o mundo inteiro

como viver
oitenta, noventa anos
e ter amado um único ser?
é egoísmo
é prisão
é ignorar a beleza espalhada
pelos dias
numa esquina
num metrô
num café
numa livraria

eu me apaixono
todos os dias
por desconhecidos
eu vivo histórias que
só aconteceram em mim
uma conversa
algumas linhas e
você tem meu coração
se eu puder ver o seu
eu amo autores
e personagens
deito com eles
e sou de todos
inteira


Débora Andrade 24-05-2017