quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Alma ferida


A minha alma sofreu sevícias que nem o homem mais pobre, desgarrado e sozinho, sofreu. O frio que um mendigo tem de suportar à noite, não é como o frio que senti por dentro quando o amparo não tive. A humilhação de um homem que tem que andar pela cidade esfarrapado, não é nem de longe como a humilhação de ter que andar com a alma esfarrapada. A fome que sente um maltrapilho, não se compara a fome de amor que a minha alma sentiu. A dor de um exilado ainda não é como a dor de alguém que em seu lugar, não encontra lugar.  O desespero de um fracassado não é similar à angústia de uma alma machucada. E não há nada que doa mais do que feridas na alma, nada mais debilitante, nada mais destruidor, nada mais mortal.

Débora Andrade
15/12/2011
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